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07.Fev - O Essencial é.....
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O Essencial é.....

O Essencial é..... 

(…) E [o principezinho] voltou, então, à raposa:
– Adeus, disse ele…
– Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
– O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.”

(SAINT-EXUPÉRY, Antoine. O Pequeno Príncipe. Tradução de D. Marcos Barbosa, 18. ed., 1975. 

Um dos grandes clássicos da literatura infantil mundial, O pequeno príncipe, escrito pelo aviador e combatente francês Antoine de Saint-Exupéry em fins da II Guerra Mundial, narra a história de um menino singular, portador de uma mensagem reveladora e envolvente. Morador de um minúsculo planeta chamado B-612, o jovem príncipe decide deixar sua casa em busca de amigos, de pessoas que pudessem suplantar sua solidão e a indiferença com que era tratado pela rosa vermelha, sua única companhia, cuja semente fora trazida pelo vento e germinara no seu astro. O livro percorre o itinerário dessa criança pelos planetas do firmamento, em busca do verdadeiro afeto e daquilo que ele considerava o essencial em sua vida – o amor, que viria a complementá-lo em plenitude e o permitiria viver a maravilhosa essência da comunhão. O significado do amor, trazido na experiência concreta da amizade, só seria descoberto pelo principezinho quando do encontro com a raposa no deserto, já aqui na Terra, a qual lhe revelaria seu segredo mais valioso: “só se vê bem com o coração”. O livro é, em boa medida, não só fonte de riquezas para as crianças, mas para todos os que se dispuserem a desvendá-lo com um olhar mais atento. Os ensinamentos que ele revela são úteis, por exemplo, para o aconselhamento de tantos jovens que, hoje, apresentam inúmeras feridas na sua afetividade e mostram-se incapazes de assimilar a essência da caridade, fruto do encontro pessoal com Deus e com os irmãos. A raposa do livro nos fala de algo que nos é essencial, de uma descoberta que só pode ser feita pela voz do coração. Os nossos olhos não nos são necessários para enxergar essa verdade tão plena e rica de sugestões; apenas com a nossa entrega pessoal é possível desvendar esse algo que é tão caro a nós e que nos preenche por completo. O que é, afinal, essencial para nós, nos dias de hoje?

A virtude do amor é, hoje, afastada de seu significado primordial, que nos foi revelado por Cristo na Cruz – o próprio exemplo de Seu esvaziamento, preenchendo-nos com a plenitude da caridade divina.  Ao contrário, aprendemos, a cada dia, a mascarar o verdadeiro valor do amor por sinônimos que lhe retiram sua verdadeira razão de ser. A afetividade vivenciada pela juventude é profundamente marcada pelo materialismo, pela busca cega dos prazeres que apenas amenizam o profundo vazio deixado no coração pelos modismos. Os adolescentes afastam-se de sua vocação primeira – a vivência plena da afetividade e da sexualidade – em troca do gozo fácil e rápido proporcionado pela prática dos relacionamentos feridos. O amor é desprezado; em seu lugar, entram as relações marcadas pelo descartável, pelo transitório, nas quais os jovens assimilam que a vivência afetiva é empecilho da felicidade tão almejada, a ser atingida pelo status e pela falsa liberdade. Nesse sentido, Santa Teresa de Lisieux afirma: “Com amor, não caminho apenas, ponho-me a voar…”. A lição da raposa é um eco daquilo que o próprio Deus vem revelando ao homem na história da salvação. E que vem repetindo, hoje, no coração dos jovens desorientados e servos da alienação: “O que o homem vê não é o que importa: o homem vê a face, mas o Senhor olha o coração” (1Sm 16,7b). O Pai Eterno, que criou o universo inteiro com perfeição e ternura, escolheu o minúsculo coração do homem para fazer a sua morada predileta, regozijando-se em estar naqueles que ama. Deus sabe que a busca desesperadamente do sentido da própria história e que faz dessa procura um meio de abrir-se ao novo que lhe chega, como o principezinho da história. Desejamos experimentar o amor e dele extrair a suma felicidade, da mesma forma que o nosso nobre menino. E Cristo permite-lhes esta experiência, através da bela lição de Sua morte e ressurreição, fazendo-os descobrir que o amor é a chave para desvendar o mistério da vida e para encontrar, de maneira íntima e inesquecível, o seu Autor. Perdendo-se nas suas inúmeras inquietações e desejos, que acabam por lhe desorientar, esquecemos o essencial em nossas vidas, o amor de Deus, que se doa aberta e livremente para nós, guardar esta verdade fundamental é a chave para a cura dos males que atingem a juventude, e o meio de ensiná-la a ter, enfim, a estatura de Cristo. O amor da Trindade, que é verdadeiro, acaba por trazer a verdadeira sexualidade, a verdadeira liberdade e a verdadeira paz. O próprio ser de Deus é Amor. Ao enviar, na plenitude dos tempos, seu Filho único e o Espírito de Amor, Deus revela seu segredo mais íntimo: Ele mesmo é eternamente intercâmbio de amor: Pai, Filho e Espírito Santo, e destinou-nos a participar deste intercâmbio” (CIC, 221). Esse é o segredo do amor, revelado a nós não pela superficialidade dos “olhos”, mas com a profundidade e a delicadeza do “coração”. O amor, o autêntico e verdadeiro amor, trazido a nós por um Deus que é, Ele mesmo, o Amor em pessoa, ensina-nos a viver a alegria da confiança e da libertação da própria pequenez, levando-nos a abraçar o Eterno. Você que anseia, antes de tudo, viver a plena liberdade, não pode esquecer-se do “essencial” – o Deus de Amor –, que é o sentido da sua existência e a chave para vivê-la integralmente.


Baseado no livro O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry

        

               Ana Maria Corrêa

 

 


Fonte: Ana Maria Corrêa

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