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09.Dez - A coisificação do homem e a humanização das coisas
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“Drummond dizia que não mais lhe convinha o título de “homem”, o poeta sabia, vivemos no tempo da coisificação do humano e da humanização das coisas. Onde o ter conta mais que o ser, onde a embalagem vale mais que a propria essência. Então é preciso se vender, vende-se a honra, vende-se alma, vende-se o corpo, vende-se até a virgindade. Tudo disponivel nas vitrines e prateleiras para ser comprado, consumido, descartado. Irônico é que quanto mais nos vendemos, menos nós valemos”. (Comentário de Rachel Sheherazade – jornalista do SBT).


Percebemos que a passagem da sociedade tradicional para a moderna significou a transformação radical nos conceitos de tempo, espaço, religião, e também no aspecto mais profundo do ser humano que é o seu ser pessoa. Afirma o teólogo Jung Mo Sung “que a modernização e a secularização não significaram abandonar os sonhos e desejos alimentados pelos anúncios religiosos, mas sim uma transformação radical na concepção da realização desses desejos”. Ou seja, a mensagem da Igreja refere-se ao mundo transcendente, da vida futura, ganha com a renúncia da vida presente. Já o anúncio da modernidade é de “um mundo renovado pela produção material, um mundo de abundância em que todas as necessidades e desejos seriam satisfeitos”. Além disso, o discurso moderno apela para a experiência e satisfação imediata. Para completar, ao invés de pedir uma renúncia à vida presente, a mensagem moderna desvia a atenção da vida futura para dirigi-la para a vida presente.


Diante de tal realidade do mundo atual, voltado para o hedonismo, secularizado e reducionista, vamos percebendo as consequências de toda forma de deturpação do conceito fundamental do homem: a sua unicidade, singularidade e identidade espiritual, ou seja, tudo aquilo que o caracteriza especificamente como pessoa. O ser humano, ápice da criação divina, foi moldado à imagem e semelhança de Deus. Vocacionados para a transcendência e constituídos da mais alta dignidade, fomos dotados de razão, inteligência e liberdade para vivermos a proposta do plano original de Deus. Esse é o fim para a qual fomos criados!


 Na contemporaneidade, vivemos um processo selvagem de “coisificação do ser humano e humanização das coisas”, ou seja, o homem criado para amar as pessoas e usufruir dos bens materiais para o seu pleno desenvolvimento, vai gradativamente invertendo essa relação e assim, perde a sua identidade existencial e mergulha num estado de profunda alienação social, política e econômica.  A coisificação do homem se dá nesta inversão de valores, ao reduzir o homem somente como aquele que produz, que faz, “homem-máquina”, “homo-faber”, ou também como um mero objeto de consumo e de lucro. Na economia de mercado, esta visão tem como pressuposto tornar o homem manipulável, transformando as pessoas em meras mercadorias. Vemos claramente estes sinais  através dos meios de comunicação, músicas, moda, etc. O mercado identifica a felicidade hoje como ter: sucesso, lucro, utilidade, ou seja, nas coisas efêmeras. Nesta atidude a modernidade me leva a buscar a felicidade fora de mim, e não dentro de mim, como nos diz Santo Agostinho.


Contudo a “coisificação do homem” pode ser um sinal do trágico destino da humanidade: a banalização da vida, a perda de valores éticos e morais, invertendo a prioridade da “coisa” sobre a vida. Como resposta buscquemos voltar o nosso olhar ao pensamento personalista da Igreja, que reafirma a dignidade única do ser humano, como diz o filosófo Emmanuel Mounier: “A pessoa é o homem em sua integral e essencial dignidade, a pessoa não pode ser reduzida, independente do que ela faça”.


Ítalo Breno
Missão Anápolis/GO

 


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