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19.Jun - Série:+Nova Aliança +África..
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Série:+Nova Aliança +África..

Hoje, na Série +Nova Aliança +África, você irá acompanhar um pouco da experiência vivida por Padre Rafael Ligeiro, uma experiência que você também pode viver.

Quer saber como? Entre em contato conosco, pois a nossa casa, em Gabu/ Guiné-Bissau está pronta para te receber e os nossos irmãos de braços abertos para te acolher.


Encontrei um poço para matar minha sede


Quando era criança, sempre ouvi nas aulas de geografia que existia um outro continente separado pelo oceano, que ficava bem longe do Brasil. Lá, os animais selvagens andavam pelas savanas, o deserto do Saara fazia dos dias, os mais quentes, e das noites, as mais frias; as pessoas... e as pessoas? Elas precisavam de ajuda por causa da pobreza e da fome.


Mais tarde, descobri que a África era muito maior do eu que pensava. Que, de fato, lá existem animais enormes e perigosos em alguns lugares específicos, mas eles não ficam andando pelas ruas das cidades, como concebia minha imaginação de criança. Que nem todo espaço geográfico é coberto por deserto, mas que a maioria dos países têm altas temperaturas durante quase todo o dia, e às noites também. E as pessoas...estas sim precisam de ajuda. Nesse ponto, minha imaginação estava certa. Muitos são os países africanos onde a pobreza é extrema, a desigualdade impera e há muito pouco desenvolvimento. E há muito, muito mais... 


Um dia, quando eu já nem me lembrava mais dessas memórias, embora sendo um missionário e tendo escutado ‘altas histórias’ sobre a África, fui convidado para uma missão. Como missionário que sou, rapidamente me prontifiquei, coloquei-me à disposição e, em menos de dois meses, entre o convite e a viagem, lá estava eu pisando no país de Guiné-Bissau.

Não quero desapontar e nem desanimar ninguém, mas a viagem traz seus transtornos. Voltei outras duas vezes. Não ficou só nessa primeira visita. Costumamos brincar que a passagem pode ser comprada para duas categorias: com problemas e com muitos problemas. Eu já experimentei de ambos os jeitos. Porém, a África exerce um certo fascínio sobre minha vida que não sei explicar. E quando menos espero, estou eu, de novo, de malas prontas.

Como é possível que um país, nesses nossos tempos, não tenha energia elétrica e outras coisas que julgamos essenciais, assim como outras tantas supérfluas, mas que tornam a vida mais rápida e mais prática? Este lugar é Guiné Bissau. 

Intimamente, fui inundado por questionamentos diversos sobre como vivi a minha vida até o presente, sobre o que é realmente essencial. Um turbilhão de perguntas que fizeram dos primeiros 15 dias nessa terra foram suficientes para ancorar parte do meu coração lá. Vivendo experiências extremas, que vão da alegria de uma Santa Missa, na qual um jovem nativo era ordenado sacerdote para servir este povo que cantava fortemente que: “N’ tene fome Sinhor n’misti kume dan bo kurpu, n’ tene sede Sinhor n’ misti bibi dan bo sangue” e, logo após essa liturgia, embalado ao som do tambor e da dança, que davam um caráter todo especial à festa, presenciar uma mãe dar a luz a um bebê no chão do hospital, sem condição alguma e ali, nos meus braços, ele não sobreviver, pois o hospital não dispunha do necessário. 

A passagem da vida à morte acontecia dentro de mim, ao mesmo tempo que, pela fé, vivia em Cristo Jesus e no seu Mistério a passagem da morte para vida.

A África resgatou muito de mim como pessoa, diversos valores esquecidos, me despertando para aquela bondade comum que possuímos por sermos filhos de Deus. E eu, que pensava que iria em missão e realizaria grandes feitos, me peguei gastando o meu precioso tempo com sorrisos e abraços... com presença. Eu estava inteiro ali de novo: mãos, pés, corpo, coração e espírito. 

Fui entendendo que, ao mesmo tempo que este povo precisa de fato de nós, seja para o cuidado médico, seja para a educação ou para a catequese, ele também tem muito a ofertar. Tem a alegria de viver o instante e gastar tempo com perguntas como: Como amanheceu o dia? Como está? Na correria em que vivemos, acabamos por nos esquecer de gestos tão simples.

A segunda vez que lá estive, fui inundado por uma alegria completa, depois de uma viagem com alguns problemas - só uma ‘pequena’ tempestade entre Cabo verde e Dakar, que resultou numa experiência que em outra oportunidade posso relatar. Na chegada, num dia que seria como outro qualquer, não fosse por uma equipe que estava pelas ruas de Gabu - cidade onde temos a missão - instalando painéis e postes de luz. Pensei comigo que aqueles postes pouca diferença fariam. Estamos tão acostumados aos holofotes e às luzes fortes, no entanto, para quem nunca tivera energia, aquela pouca luz seria muito. Fomos para casa e me esqueci de tal fato. 

No início da noite, quando jantávamos à mesa, conversando e partilhando, ouvimos gritos, que foram aumentando com o tempo. Percebemos que não se tratava de choro ou algo assim. Fomos para a rua principal e para minha surpresa lá estava o motivo da alegria. Quando cada poste acendia, e estes foram acendendo à medida que haviam sido instalados, um emaranhado de pessoas, crianças, jovens e adultos pulavam e gritavam ao redor dos postes acesos. Euforia, sorrisos por tão pouco, por algo verdadeiramente simples. Simplicidade esta que está por detrás do olhar que penetra nosso íntimo e mesmo sem dizer nada nos interroga: o que você está fazendo com sua vida? Cada dia nessa terra me ensina a sonhar de novo. Ensina-me a viver com mais gratidão e a deixar de lado as murmurações tão frequentes por tão pouca coisa. Ensina-me que o Mistério que eu tanto acredito está bem perto de mim.

Quanto às noites, tão escuras e silenciosas, que já passei nesta terra de missão, posso dizer que nelas escutei a voz de Deus. Bem ali, tão calma e serena a convencer-me do seu infinito amor por mim.


A palavra, com a qual defino estas minhas viagens e peregrinações, pois é assim que eu chamo minhas temporadas neste solo, é: originalidade. Aquela expressão forte e intensa da escritura onde o autor sagrado diz que fomos formados do barro da terra e o Criador soprou o hálito da vida. 

É essa vida que na África encontrei, em um poço a puxar com balde a água refrescante que mata a sede. Sede de amor, sede de verdade, de autenticidade. Que Deus permita que possa eu voltar a este poço sempre que eu tiver com a garganta seca e necessitado de refrigério. E que seja para você também uma peregrinação ao coração de Deus pois, a Palavra diz que “quem tiver sede possa vir e beber de graça da água da vida” (Apoc 22,17).


-Padre Rafael Ligeiro





Fotógrafo: Acervo Pessoal

Fonte: Karla Aparecida

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